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Um Crime no Expresso Oriente - Agatha Christie

Este não é o primeiro livro que leio da Agatha Christie, nem sequer é o primeiro com Monsieur Hercule Poirot como personagem principal. Mas não há qualquer dúvida que esta é uma das obras mais populares. Não sei se apenas por já se ter feito um filme que o usa como argumento (com certeza que não, já que há uma série devota a Poirot), ou realmente pela forma usada para a escrita, ou mesmo a qualidade da escrita.

Embora o livro se desenlace como qualquer outro romance, está dividido quase de regra e esquadro em capítulos que se podem dizer relatórios policiais, ou depoimentos dos interrogatórios, com cada suspeito do crime.

A história desenrola-se num comboio, o Expresso Oriente, que fica preso na neve e, na mesma altura, se descobre um terrível assassinato. Poirot realiza as entrevistas e vai juntando dois mais dois até descobrir como o assassínio se desenrolou.

A forma como Agatha descreve as entrevistas, e como descreve a carruagem onde o crime se realizou (até é apresentada uma planta), fez-me apetecer (deve ser a minha mente geek a funcionar) escrever um programa Prolog, à espera que a máquina consiga descortinar o que se passou. Infelizmente, não é assim tão simples como naqueles passatempos em que se descrevem X pessoas, definindo relações binárias entre elas, com o objectivo de se adivinhar o nome das ditas pessoas. Neste livro isso não é possível porque há um conjunto de conhecimento contextual e de alguma análise psicológica realizada por Poirot, que não seriam fáceis de codificar.

Em relação à trama propriamente dita, é normal que o leitor consiga vislumbrar o que se vai passar, e como se desenrolaram os acontecimentos até certo ponto. Mas garanto que de qualquer modo sairá sempre surpreendido da leitura deste livro. Um policial como só Agatha Christie sabe escrever.

Comentários

Felipe de Souza disse…
Na verdade, não sei se por preconceito ou mesmo falta de oportunidade, talvez não as tenha criado, nunca li um livro de Agatha Christie, e olha que já li muita oisa ruim, muito ruim mesmo. Da maneira que você descreve o trecho em questão, considero que fiquei bastente curioso e vou correr a livraria para adquirir um exemplar. Sei que não vou me arrepender pois jamais me arrependi de um livro lido e com certeza não será deste que em arrependerei. obrigado pela "dica".

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