terça-feira, 9 de maio de 2017

Número Zero (Umberto Eco)






Umberto Eco é sempre uma surpresa. Nunca sabemos bem o que vai sair do livro, mesmo enquanto se lê. No caso concreto deste livro,  é talvez aquele em que a história é contada com menos interrupções, e apenas uma ou duas deambulações longas, difíceis de seguir e pouco relevantes para a historia. Talvez por isso este livro tenha um número de páginas bastante menor ao que estamos habituados nas obras de Eco.

Desta vez continuamos com alguma ligação à religião (embora desta vez muito menos) e bastante política. Interessante a interação entre as personagens, e alguns lindos comentários do narrador. Lê-se com alguma facilidade, e a história é relativamente linear... ou quase. no spoilers!

O que mais me entristece neste livro, tal como nos restantes livros de Eco, publicados pela Gradiva, é a pouca atenção à tradução e à revisão do livro. Eu sei que Eco não é fácil de traduzir, mas podia ser feito um esforço maior. E não se percebe a existência de alguns erros de palmatória, como "secretaria" em vez de "secretária", ou palavras repetidas no meio de uma frase. A sério...?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Será da radiação!?






Já a Marie Curie e o seu marido Pierre Curie brincavam com isso, e brilhavam, realmente... no escuro!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Explicação da Minha Vida - Por Umberto Eco


"Os perdedores, como os autodidactas, têm sempre conhecimentos mais vastos do que os vencedores: se queres vencer, tens de saber uma coisa só e não perder tempo a sabê-las todas, o prazer da erudição está reservado aos perdedores. Quantas mais coisas uma pessoa sabe, mais as coisas não lhe correram como deviam."
Número Zero, Umberto Eco 

Pois ontnem, ao ler o Número Zero, de Umberto Eco, vi a explicação de toda a minha vida, bem descrita num único paragrafo, que trascrevo acima. Mas prefiro saber um bocadinho de muita coisa (e mesmo assim, saber muito pouco) do que pouco saber, e pensar que tudo sei.

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Amiga de Madame Maigret (George Simenon)


A Amiga de Madame Maigret é um pequeno livro da Coleção Vampiro, antiga, dos livros do Brasil que a Wook está a oferecer com as novas edições da mesma coleção.

O tipo de livro é bastante semelhante ao de Agatha Christie, com as histórias de Monsieur Hercule Poirot, com a diferença que, nestes livros do Inspetor Maigret, por George Simenon, não surgem todos os factos no final do livro, sendo que vão sendo descritos ao longo da história. É certo que nem todos, para garantir o interesse por parte do leitor. Por curiosidade, fui ver as datas de nascimento e falecimento, e George Simenon é posterior a Agatha Christie, pelo que deve ter sido inspirado nas várias histórias de Poirot.

Quanto à história e forma de escrita, é bastante casual. A minha principal dificuldade foi em conseguir seguir todos os personagens. São vários, todos com nomes franceses, e com alguns demasiado parecidos. Outros, menos importantes, mas sempre nomeados pelo seu próprio nome. Possivelmente sou eu que estou velho.

A tradução não é propriamente má, mas tens alguns detalhes que gostava de ver corrigidos. Não sei se a tradução foi feita para o Brasil (sendo uma edição dos Livros do Brasil -- mas não me parece), mas por vezes alguma revisão seria benéfica.

O tamanho de letra e qualidade de impressão também deixa um pouco a desejar. Mas trata-se de um livro já algo antigo, de bolso (e portanto com tamanho de letra reduzido), e que foi oferecido. Bem bom!

Matrículas

Bem, depois de tantos anos de Não Lembra Nem Ao Diabo, já devem estar a contar com tudo. E também sabem que cada um com sua mania.

Ora, eu não sou uma pessoa diferente, e também tenho manias. E aqui há tempos (quando comprei carro novo) ganhei uma nova mania: ir seguindo as matrículas (as letras), vendo a que velocidade são vendidos automóveis a cada momento, e sempre a tentar encontrar o próximo par de letras.

Pois há algum tempo que a última matrícula que tinha visto usava as letras SP. Há dois ou três dias, passei pelos dois primeiros SQ num intervalo de 10 segundos (ambos de marcas diferentes, e longe de stands). Mais curioso ainda, no regresso a casa, e mais ou menos no mesmo sítio, outro SQ, e passados 5 minutos um SQ e um SR.

Ora, cada par de letras corresponde a 10.000 matrículas. São bastantes carros. Mas se pensarem que nos últimos dois anos passamos dos PH para SQ, ou seja, 300.000 matrículas. Se considerássemos apenas essas matrículas, teríamos uma probabilidade de 3%. Pensando que há muitos mais carros em circulação, a probabilidade é ainda menor!

Falta apenas fazer uma contabilização a quantos carros, em média, se cruzam comigo numa viagem de Famalicão a Barcelos.

Maluqueiras...

quinta-feira, 23 de março de 2017

GPS e Nomes de Ruas

Pois bem, o meu Nissan tem GPS integrado, e o sistema de pesquisa de ruas não é muito eficiente. Ora convenhamos, procura-se a Rua Doutor Carlos Cal Brandão, no Porto. Como a procurar?

Bem, tentei várias alternativas. Fica aqui a lista das várias tentativas, por ordem, até a ter encontrado:

  1. Rua Carlos Cal Brandão (culpa minha, esqueci o Doutor...)
  2. Rua de Carlos Cal Brandão
  3. Rua Dr Carlos Cal Brandão
  4. Rua Dr. Carlos Cal Brandão
  5. Rua Doutor Carlos Cal Brandão
  6. Rua do Dr Carlos Cal Brandão
  7. Rua do Dr. Carlos Cal Brandão
  8. Rua do Doutor Carlos Cal Brandão
  9. Rua de Dr Carlos Cal Brandão
  10. Rua de Dr. Carlos Cal Brandão
  11. Rua de Doutor Carlos Cal Brandão
Uff!!! Mas não seria mais fácil poder escrever "Carlos Cal Brandão" e pedir todas as ruas que as incluam?

domingo, 12 de março de 2017

A Rapariga No Comboio (Paula Hawkins)


É curioso que sempre que leio um livro que é descrito como um sucesso de vendas, não percebo como tal acontece. Este é um livro fraquinho, em que metade é demasiado frio para ter interesse, tem uma vintena de páginas relativamente interessantes, e o suspense desaparece quando se percebe qual o culpado de toda a história. O resto do livro é um continuar de perceber como as personagens o descobriram.

Depois, há algo que me faz confusão. Primeiro, o livro é contado apenas por mulheres. Segundo, todos os maridos são brutos. Não sei porquê, mas suspeito de que alguém tem problemas conjugais... mas não sou propriamente psicólogo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

É triste como a SS trata os nossos idosos

Hoje tive de levar a minha mãe ao Centro Distrital da Segurança Social de Braga. Foi visitar um "médico relator", dado um pedido de subsídio por dependência. Felizmente que o meu horário de trabalho é flexível, e que embora dependente, ela possa ir comodamente no meu carro, e numa cadeira de rodas até ao local.

Mas é triste ver ambulâncias de transporte de doentes com idosos. Alguns vêm, como a minha mãe, de cadeira de rodas, e embora a viagem seja menos simpática, por vir com os bombeiros, acabam por nem ter muitos contratempos.

Mais triste ainda é quando nas ambulâncias surgem idosos de maca, porque estão acamados. Pior ainda, ver que alguns estão dependentes de oxigénio ou de sondas. E têm de se deslocar a um centro de segurança social sem o mínimo de condições para receber estes idosos. Em dias de chuva, suponho que até a apanham, para conseguir chegar ao local em causa.

É triste. Se há soluções? Talvez mas dispendiosas, mas porque não um piquete da Segurança Social que visite estas situações? Tal como é feito o pagamento aos bombeiros pela deslocação, não ficará muito mais caro pagar ao piquete que se desloque aos lares onde estes idosos estão. É possível que algumas situações de abuso surjam. Mas haja alguma humanidade...

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

sábado, 18 de junho de 2016

O que fazem mulheres (Camilo Castelo Branco)

Sem ser um dos melhores livros de Camilo, O que fazem mulheres é, dificilmente, o pior. Embora a história não seja de todo surpreendente (ora, romancista, escreve romances), a forma como Camilo interpõe capítulos filosóficos entre a história, conjecturando sobre a natureza humana, ou sobre a forma de pensar de homens e mulheres, não deixa de ser brilhante. A juntar os adjectivos cáusticos, sobre a rubincundez de um dos personagens, é um livro que se lê rapidamente e sem grande esforço. Se não gostaram de a queda de um anjo, dêem mais uma hipótese ao Camilo com esta obra. Se adoraram, como eu, os contos do Minho, leiam este que pouco atrás fica.