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Leitura Obrigatória no Ensino do Português

Outro dia encontrei um volume desta colecção, que foi vendida junto com o Expresso, à venda de modo independente. Era a "História Tragico-Marítima", sobre a qual tinha alguma curiosidade. Dado o seu baixo preço (um euro, se não me engano) comprei-o logo.

Este livro é uma edição da Editora Sá da Costa, com adaptação de António Sérgio. Na contracapa do livro pode-se ler: "Colecção clássicos da humanidade. Obras célebres da literatura universal ao alcance de todos adaptadas ao ensino. Leitura obrigatória". Quando li isto já era tarde, já o tinha comprado. Gostava de ler o livro sem qualquer adaptação. Em todo o caso, comecei a ler.

Comecei a ler e a deparar-me com algumas formas estranhas de construção frásica. Pensei que fosse uma questão estilística. Mas ontem deparei-me com um erro que só demonstra a falta de responsabilidade de quem coloca estes livros à venda, ainda para mais, associando-os à leitura obrigatória.

Reparem nesta frase:
A maior parte partiram para Sena, no domingo 16 de Novembro, ficando com os que não foram Manuel Brochado, o qual os 1evaria consigo para Sena, donde todos seguiram, depois, em direcção de Quelimane e de Moçambique.
Não, não fui eu que me enganei. Usaram mesmo um 1 em vez de um l. Mas não é isso que me assusta, que é apenas um erro tipográfico. O que me preocupa é a falta de concordância de número da frase: a maior parte partiram... infelizmente este é um erro cada vez mais típico na televisão. Mas adaptá-lo ao ensino obrigatório é um crime.

Outro exemplo de frases mal formadas:
Vinda a roupa, mandou por eles,--que chegaram a Luabo a 22 de Setembro, alegres de se verem livres, na companhia de compatriotas seus.
Ora, mandou por eles o quê? Se foi a roupa, não se deveria usar a forma reflexiva? Vinda a roupa, mandou-a por eles...

A verdade é que só li um quarto do livro e já desisti de continuar a ler.

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