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Dissolução

O livro Dissolução, de C. J. Sansom publicado pela ASA, é mais uma história que foca a religião nos tempos da idade média. É bastante fácil de ler (tem um português bastante fluído), mas peca por algumas incoerências (por exemplo, o fulano A entrega as chaves ao fulano B, mas pouco depois, o fulano A está a desengatar as chaves do seu cinto) e por alguns erros gramaticais, como lembrei-me que era um dos monges que sabia, em vez de lembrei-me que era um dos monges que sabiam, Eu fui um daqueles que tinha sido afastado em vez de Eu fui um daqueles que tinham sido afastados ou ainda, um dos poucos que teria a aprovação em vez de um dos poucos que teriam a aprovação. Parece que estes erros cada vez mais se tornam um hábito. A seguir a filosofia do novo Grande Dicionário da Porto Editora que foi editado há pouco tempo, é provável que em breve estas frases se tornem correctas. Além destes erros, mais grosseiros, encontram-se aos potes problemas de concordância (adjectivos no plural com substantivo no singular, e vice-versa).

Para além de dizer mal do tradutor e do revisor de tradução, também devo referir o próprio autor, que se aventura a escrever um livro que toca a religião católica, mas não sabe bem do que escreve. Segundo o meu conhecimento da Bíblia, o ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus Cristo e que, naqueles instantes, se arrependeu e foi perdoado, não se chama Barrabás. Barrabás foi o preso que foi solto em vez de Jesus. Neste caso, é irrelevante crer-se ou não. Mas se se refere uma história, deve referir-se tal como foi escrita. Pela leitura da nota histórica final, nota-se que o autor fez um estudo sobre o estado da religião naquela época conturbada. Mas faltou ler a própria Bíblia.

Também será, parece-me, o primeiro livro em que não simpatizo com o personagem principal, que ao contrário do habitual, em que são heróis inteligentes, é bastante parvo, tapado e, acima de tudo, nada modesto.

Em relação ao conteúdo propriamente dito, devo dizer que a principal ilação que podemos retirar desta obra é que a religião, se levada de forma cega e obstinada, é contra-producente, gerando mais pecados, erros, vícios… no entanto, como Católico, também não tenho a certeza de que a falta de religião traga vantagens...

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