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Mensagens

Em Portugal, proibir é fácil. Fiscalizar... nem tanto!

Todos os dias, durante a semana, passo junto a um ecoponto aqui perto. Tem uma lona enorme — dessas que não passam despercebidas — a avisar que deixar lixo fora do contentor é sujeito a coima. Imponente. Intimidante, quase. E mesmo à frente da lona, num gesto de pura rebeldia artística, deixam três sacos de lixo, um sofá partido ou o que parece ser metade de uma cozinha. A lona, ao que tudo indica, não convenceu ninguém. Mas o exemplo que me inspirou mesmo a escrever este texto foi outro. Uma placa, no WC do Hospital de Vila Nova de Famalicão, com a seguinte instrução: "Proibido colar chicletes e colocar papel higiénico nos mictórios."   Fiquei a pensar: haverá alguém que, chiclete já mastigada e braço estendido, leu o aviso e pensou "Ah, tens razão, não é correto" , e deu meia volta à procura de um caixote? Talvez. Mas apostava pouco nessa pessoa. É claro que existe uma lógica nisto tudo. Contratar fiscais, aplicar coimas, criar sistemas de vigilância — isso cust...

A desigualdade da Segurança Social

    Pelas infelicidades da vida, nos últimos tempos tenho andado a tentar perceber como funciona a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e como funciona a comparticipação, por parte da Segurança Social, para aqueles que, com alguma sorte, arranjam uma vaga numa Unidade de Cuidados Continuados Integrados em tempo útil.   Ora, um dos passos, em todo este processo, é o preenchimento de um formulário para a Segurança Social que começa com a seguinte frase:   O direito à comparticipação da Segurança Social aos utentes das Unidades e Equipas de Cuidados Integrados, depende do valor do património mobiliário do seu agregado familiar não ser superior a 240 vezes o Indexante dos Apoios Sociais que corresponde a 128.911,20€.  Se, por um lado, esta frase parece fazer sentido (quem tem mais rendimentos, tem de pagar mais), levanta um conjunto de outras dúvidas: Este valor refere-se ao património do agregado familiar, ou seja, daqueles que vivem sob o mesmo...

Volta... uma confusão

  O estado está a iniciar o processo de colocar máquinas por todo o país para a recolha e reciclagem de embalagens de plástico. A iniciativa assenta na ideia de acrescentar 10 cêntimos ao preço de todos os produtos abrangidos, que serão devolvidos se o consumidor entregar as embalagens vazias numa destas máquinas. A ideia começa mal logo de início, já que as embalagens têm, neste momento, um custo, que o consumidor já está a custear. Veja-se um exemplo de uma garrafa de água. Não me parece que a garrafa seja gratuita para o vendedor da água. Se estamos a pagar por uma garrafa, não devíamos receber esse mesmo valor ao devolvê-la? Não sei qual o custo, que poderá ser até menor que os 10 cêntimos previstos. Mas permitiria que o custo não aumentasse tanto (de 30 cêntimos para 40 cêntimos é um aumento de 33%). É verdade que este valor é devolvido, sob a necessidade do consumidor se deslocar até uma destas máquinas, e esperar na fila para despachar as ditas garrafas. Para além da id...

Obesidade: uma doença?

    Tenho excesso de peso. É inegável. Mas a forma com que a sociedade, e em particular a comunidade médica, lida com isto, deixa-me frustrado. Sim,  gosto de comer, tenho uma vida sedentária, e preciso de mudar de hábitos. Isso é óbvio. Mas fazem ideia da dificuldade que é ter essa força de vontade. E não, um "tem de o fazer" não resolve nada. Para quem tem um metabolismo que queima calorias facilmente, isto deve parecer trivial. Comam menos, mexam-se mais, fim da conversa. Devem achar que passo o dia a comer. Muitas vezes nem é isso. Conheço gente que come barbaridades e continua magra. Não é o meu caso. O que me irrita é que a obesidade não é levada a sério, nomeadamente como uma doença. Pensa num fumador - tem adesivos de nicotina, medicação, acompanhamento psicológico, várias ferramentas. E quem tem peso extra: uma dieta num papel. É como dizer a um fumador "pronto, agora fumas só três vezes por dia, e daqui a quinze dias falamos". Já passei por vários nutri...

Uma Hora de Trânsito

Enviei este texto para os jornais locais, Diário do Minho e Correio do Minho. Nenhum dos quais se dignou, sequer, a responder o interesse (ou falta dele) pela publicação do texto. Assim sendo, aproveito para reavivar este blog, partilhando-o convosco.

Lidl ainda no século XX

Pode parecer que não. Até partilham os folhetos na Net. Mas não, o Lidl ainda não passou ao século XXI. Ora vejamos, festejei o meu aniversário na semana passada. O Lidl tentou ser simpático, enviando-me por e-mail um vale para me oferecer um bolo de 3.5 Eur desde que fizesse compras no valor de 15 Eur em loja. Infelizmente "saco vazio não se tem de pé", pelo que ao fazer as compras semanais optei por passar no Lidl, e aproveitar o bolo. Cheguei à caixa e ao mostrar o vale no telemóvel, a funcionário ficou algo atrapalhada. Não percebi porquê. Mas telefonou à chefe de loja, e fiquei a perceber: eu não tinha o vale impresso, apenas em formato digital. Disseram-me, pois, que não podiam aceitar o vale porque precisam dele em papel para demonstrar (não sei junto de quem). O que é estranho porque, ao passar o código de barras, é feito um registo, e portanto, é feita prova. Já que, se a ideia é mostrar que não o uso mais que uma vez, bem que poderia imprimir uns quanto...

Fiat Coupé

Outro dia tinha um automóvel deste modelo atrás de mim. Não era verde, mas vermelho. Mas fez-me pensar em escrever um post , ou vários, sobre veículos que tenho pena que não tenham sido continuados. Este é um deles. Acho o design suficientemente atual e atrativo, uma estrutura interessante, e que poderia facilmente tornar-se um coupé de referência da marca. Optaram pelo 124 Spider como carro desportivo da marca. Não que seja feio, mas este é, sem dúvida, um carro que eu manteria no mercado, numa versão atualizada (pequenas melhorias de design, novas motorizações e equipamentos). Em breve escreverei sobre outros modelos nostálgicos...

Enfermeiros...

Não era mesmo para comentar. Não gosto de me meter em política. Mas hoje uma notícia que me aborreceu bastante. Enfermeiros a não tratarem doentes que estejam nos corredores dos hospitais, para demonstrar a realidade ao país. Bem, o país está farto de saber. Infelizmente o governo é que não faz nada (e também está farto de saber). Quem não tem culpa são os doentes, que por azar tiveram de ir para o hospital, e tiveram de ficar nos corredores. Para além de terem de lá ficar, não são devidamente tratados... A minha mãe, há coisa de um ano, foi ao Hospital. Uma das vezes teve de ficar na maca, quase no corredor, porque a urgência estava lotada. Foi bem tratada, felizmente. Infelizmente faleceu pouco depois, mas não foi nem por não ser tratada, nem por ter ficado no corredor. Espero é que não aconteça o mesmo a outras pessoas, e que, tal como eu, não possam dizer que tenham sido bem tratados, mesmo tendo ficado no corredor...

Sinto-me insultado...

Nos últimos dias que me sinto insultado pelos fabricantes (ou vendedores) de roupa. Hoje, nomeadamente, com a Cortefiel e com a Antony Morato. Na primeira encomendei um blazer XXL. Pois, não me serve. Apertado. E não, não é da barriga. É mesmo em largura de ombros. Na segunda, pior. Experimentei um XXXL, e arrisquei-me a partir um braço para o conseguir vestir. Chamem-me gordo... que eu gosto...

Y: O último homem - um pequeno passo

Ora, entre os vários livros que vou lendo, vou intercalando com um dos volumes desta coleção. É que os últimos dois volumes ainda não saíram, e se leio tudo de seguida, depois arrisco-me a ficar demasiado tempo até ler os últimos. Assim, vai-se lendo de forma progressiva. Estes volumes leem-se num instante. No meu caso, dois dias, antes de me deitar. Em relação ao conteúdo, pois bem, tudo continua mais ou menos na mesma: o último homem a tentar chegar sabe-se lá bem onde, e vários grupos de mulheres, por diferentes razões, a tentarem apanhá-lo. Espera-se que mais para a frente se perceba ao certo o que se passou, e a história fique fechada de forma lógica. Entretanto, posso dizer que dos três volumes que li, este talvez tenha sido o mais interessante. Não só pela história em si, mas porque as piadas são mais naturais, o que torna a leitura mais fácil -- por vezes sinto que a BD anda devagar, já que se passam páginas numa mesma situação...

A Liga dos Homens Assustados - Rex Stout

Já há muito que não terminava um livro. Este foi duro de roer. Possivelmente a culpa não é só do livro, mas de um conjunto de contingências, que não vou referir. Em todo o caso, não achei o livro interessante. Talvez por ter demasiados personagens (tanto homem assustado!). Não sei. Até achei alguma piada à forma como o Nero Wolf age, mas custou-me a chegar ao fim. Quanto ao livro, não é propriamente mau. Mas custou-me. E não gostei.

Não worten... nem à electrolux.

Pois, comprei uma máquina de lavar louça da Electrolux. Foi-me entregue em casa, e colocada no sítio, entre os móveis da cozinha. Mas não se devem ter dado ao trabalho de a abrir e fechar. A porta vem torta (inclinada se assim quiserem ver). Ou seja, do lado esquerdo, em cima, ultrapassa a largura da máquina, enquanto que ao lado esquerdo, fica ligeiramente para dentro da largura da máquina. Reclamei à Worten, usando o e-mail de suporte ao cliente. Recebi a informação do ticket. Entretanto, visitei uma loja da Worten. Por coincidência, tinham o mesmo modelo exposto. Verifiquei que o problema não é da minha máquina, mas do modelo (já que o modelo exposto sobre da mesma maleita, mas em menor dimensão). Considerando esta nova informação, enviei nova mensagem para o suporte da Worten com estes detalhes. Aproveitei e, como o problema é do modelo, enviei também um e-mail ao serviço de clientes da Electrolux. Passaram-se mais de 15 dias e não obtive resposta. É evidente que já estou a...

O último homem - #2 Ciclos

Seguindo o primeiro volume, a história continua sem grande suspense neste segundo volume. É certo que a ilustração é muito boa, mas o argumento perde-se um pouco neste volume. Talvez seja mesmo esse o objetivo, engonhar um pouco, e daí o título "ciclos". A continuar a leitura em breve.

Nissan Leaf (2018)

Como sabem, tenho um Nissan Pulsar. Na altura ponderei um Nissan Leaf. Mas para além da diferença de preço acentuada, tinha o problema de ser mais feio que uma bruxa em dia mau. Desde que o novo Nissan Leaf foi anunciado que ando babado para fazer um test-drive. Primeiro porque o carro é lindo, e por outro, por causa do novo sistema que permite a condução apenas com um pedal. O que mais me confundia (mas também não fui procurar, para me esclarecer) era como seria conduzir com um único pedal, especialmente quando precisasse de uma travagem brusca. Mas ao contrário do que eu supunha do pouco que tinha lido, o carro continua com o pedal do travão, e o modo de condução que é iniciado por omissão é semelhante à de um carro com mudanças automáticas. No entanto, ao ativar o modo de condução só com um pedal, carregar nele acelera, e retirar o pé, trava. Ao ponto de, se retirarmos completamente o pé, o carro para. Nomeadamente, se estiverem numa subida íngreme, com este modo de c...

O Último Homem - Um Mundo sem Homens

Confesso que, à parte dos célebres "Patinhas", e mais recentemente, "Astérix" e "Lucky Luke", nunca fui muito apreciador de Banda Desenhada (sem contar tiras, como Bartoon, Garfield, Mafalda, entre outros). Decidi apostar nesta coleção, que o Público esteve (está e estará) a vender. São 8 volumes, de banda desenhada a cores, com desenho muito bom, um argumento relativamente atual e, embora se possa considerar um thriller ou drama, não faltam pequenas piadas. Confesso que, tendo apostado completamente às escuras, fiquei bem satisfeito (bem mais que com as histórias de Vallerian, de que escrevi há algum tempo). A história é interessante, e bem contada. Ao contrário das BD a que estava habituado, nesta história não só o decorrer das ações varia do ponto de vista geográfico, como temporalmente. Hei de continuar a ler os restantes volumes, embora com calma, já que os últimos dois ainda não foram disponibilizados para compra... 

O Caso do Cheque Fatídico (Erle Stanley Gardner)

Este é mais um dos livros das edições Brasil que a Wook esteve a oferecer aqui há tempos na compra de outros livros de bolso (novas edições). Ora, como se diz em bom português, "a cavalo dado não se olha o dente", pelo que nesse ponto de vista, o livro é bastante bom. Mas não tendo em conta o preço, devo dizer que do ponto de vista de edição, o livro é bastante fraco, contendo vários erros. Nada de grave, mas que não é bonito de ver num livro editado. Quanto à história, e sendo este o primeiro livro que leio deste autor, e do personagem principal, Perry Mason, que é relativamente bem conhecido. No entanto, acho o livro bastante morno. Só a mais de meio do livro é que a ação aquece, por assim dizer, e o leitor fica preso à história. Esperava que fosse antes! Quanto ao caso, em si, é interessante, e as conclusões tiradas para absolver a ré são válidas e não extravagantes como são no caso do amigo Hercule Poirot, em que são apresentadas ao leitor apenas durante as últim...

Introdução ao Desenvolvimento de Jogos com Unity

Hoje não vou comentar o conteúdo do livro, já que é uma obra minha. Depois de ter escrito, em parceria com o meu colega e amigo Ricardo Queirós, o livro Introdução ao Desenvolvimento de Jogos em Android , ganhei coragem para propor e escrever este outro, dedicado também ao desenvolvimento de jogos, mas usando o motor de jogo Unity. Esta foi uma tarefa difícil. Comecei a escrita em Janeiro de 2017, e só consegui terminar em Dezembro. É evidente que os 12 meses não foram intensivos em escrita, mas é muito tempo. É muito tempo, especialmente, quando se pretende escrever sobre uma ferramenta que evolui muito depressa. Exemplo disso é que, quando iniciei a escrita, a versão atual do Unity era a 5.x, e quando terminei, estava a ficar disponível a versão 2017.3. Não pude, infelizmente, garantir uma atualização para esta versão, tendo o livro ficado pela versão 2017.1. A abordagem é prática, num pequeno tutorial, para o desenvolvimento de um pequeno jogo. Inclui algumas das práticas mai...

Maigret e a Condessa

Não há muito a dizer sobre esta obra. Para quem já leu Georges Simenon, já sabe o que espera. É o mesmo para quem lê Agatha Christie. Novos livros são semelhantes, em termos de escrita, apenas mudando as personagens, a história, e um pouco o contexto em que a história se desenrola. Neste livro, o que me parece realmente interessante é esse mesmo contexto, ou ambiente, em que a história se desenrola, entre clubes de strip , bares, pubs e diferentes géneros de preferências sexuais (hetero/homo). Curiosamente, este ambiente é apenas contextual, e não interfere, de algum modo, com a história, que é mais ou menos transversal. O que realmente me deixa desanimado é a qualidade da edição, edição essa que não deve ter tido qualquer ronda de revisão, dada a quantidade de erros ortográficos encontrados....

A Cidade das Águas Movediças (Valerian #1)

Ora, cada volume desta coleção inclui duas histórias. A segunda história deste primeiro volume parece-me ainda menos interessante do que a primeira que, no mínimo, incluía algum humor. Esta, mais longa, leva o nosso herói a Nova Iorque, em 1983, ano em que decorreram situações trágicas que levaram à quase extinção da humanidade. Ora, estamos em 2017, e agora sim, estamos perto da extinção, com o Kim e o Donald, um de cada lado. Este é um problema típico da ficção datada: quando lá chegamos, vemos que nada se passa como suposto. Mesmo ignorando essa questão histórica, não aprecio a forma como a história é contada e misturada com a ilustração. Parece-me que muitas vezes a ilustração é irrelevante, já que a história é contada com demasiado detalhe nos textos. Sinto também falta de histórias laterais, coisas que em Lucky Luke ou Astérix aparecem aos pontapés, e ajudam ao desanuvio do leitor.

Sonhos Maus (Valerian #0)

O Público tentou-me, e eu decidi comprar esta coleção de BD, do Valerian. Ainda só li a primeira história (Sonhos Maus). Não posso dizer que seja uma história que me tenha apaixonado. Gosto da forma de ilustração, mas a história, achei-a um pouco acelerada. Além de que o uso de ficção tem de ser bem pensada, o que não me parece ter sido o caso. Exemplo disso é que, na altura em que esta história se passa, é possível viajar no tempo e no espaço. É possível viajar para a época que se pretende... mas de repente... eis que Valerian chegou atrasado três dias. Mas afinal, é possível viajar no tempo, ou não? Isto é algo com que os autores nem sempre se preocupam: será que a tecnologia ou os "poderes especiais" das personagens vão tornar complicado o argumento? Neste caso, diria que sim.