Ontem o INE confirmou aquilo que todos já suspeitávamos: em 2027, a idade da reforma sobe, agora para os 66 anos e 11 meses . Tudo isto é caricato, e começa logo com este facto. Quem decide a idade da reforma não é a segurança-social, não é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas é um instituto de Estatística. Podemos quase dizer que estamos já a ser controlados pela Inteligência Artificial, já que esta não passa de um modelo estatístico complicado. A fórmula é simples, fria, e matematicamente implacável: quanto mais tempo vivemos, mais tempo temos de trabalhar. Vivemos mais, logo trabalhamos mais, logo descansamos... praticamente o mesmo. A Segurança Social agradece a nossa resiliência. À esquerda, há quem ache que a solução é baixar a idade da reforma. À direita, há quem jure que isso faz a Segurança Social implodir. Ambos têm razão, mas nenhum tem uma proposta razoável. É o debate favorito do país: toda a gente fala, mas ninguém pergunta ao enfermeiro ...
Todos os dias, durante a semana, passo junto a um ecoponto aqui perto. Tem uma lona enorme — dessas que não passam despercebidas — a avisar que deixar lixo fora do contentor é sujeito a coima. Imponente. Intimidante, quase. E mesmo à frente da lona, num gesto de pura rebeldia artística, deixam três sacos de lixo, um sofá partido ou o que parece ser metade de uma cozinha. A lona, ao que tudo indica, não convenceu ninguém. Mas o exemplo que me inspirou mesmo a escrever este texto foi outro. Uma placa, no WC do Hospital de Vila Nova de Famalicão, com a seguinte instrução: "Proibido colar chicletes e colocar papel higiénico nos mictórios." Fiquei a pensar: haverá alguém que, chiclete já mastigada e braço estendido, leu o aviso e pensou "Ah, tens razão, não é correto" , e deu meia volta à procura de um caixote? Talvez. Mas apostava pouco nessa pessoa. É claro que existe uma lógica nisto tudo. Contratar fiscais, aplicar coimas, criar sistemas de vigilância — isso cust...