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Mensagens

Andante: zonas e zoninhas

  Como já não é a primeira vez que me engano a comprar títulos Andante, pela dificuldade que é em perceber as Zonas e planear uma viagem previamente, tentei, desta vez, fazer as coisas como deve ser. O que vos conto é o resultado dessa experiência. Objetivo: viajar entre Lousado e o Aeroporto - Botica (comboio e metro).  Primeiro problema: não se sabe a que zona pertence cada estação A primeira dificuldade é a minha memória de peixe. Nunca sei a que zona pertence cada estação. Procurando em Andante.pt não há forma de obter essa informação. Fazendo um pouco de investigação, consegue-se encontrar no site do Metro do Porto um mapa da rede do metro, e perceber qual a zona correspondente ao Aeroporto. Para Lousado deu um pouco mais de trabalho, mas lá encontrei, no site da CP, um PDF com o título " Zoneamento Andante " Curioso que, sendo informação sobre o Andante, só se encontre na CP. Primeiro problema resolvido com sucesso!  Segundo problema: o sistema dá uma resposta...
Mensagens recentes

Volta: uma triagem mais fina

  Já escrevi duas vezes sobre o Volta, por um lado, sobre os abusos previsíveis de quem contorna as regras, e poroutro, as dúvidas que ficaram por esclarecer desde o início. Continuo a achar importante a reciclagem, e não vejo que o uso do Volta seja negativo. É claro que, estando nós em Portugal, temos falta de informação, e jornalistas que não sabem esclarecer, apenas relatar. Mais alguns comentários sobre este assunto: O critério não é "garrafa", é o tipo de material Fala-se muito em "embalagens de plástico até 3 litros", o que dá a entender que basta ser uma garrafa, e ser de plástico. Mas há garrafas de detergente, amaciador, produtos de limpeza, que também têm tampa, também são de plástico, e que não se viram promovidos a produtos de reciclagem. A razão é simples: o Volta aceita PET (tereftalato de polietileno), o plástico típico das garrafas de água e refrigerantes. As embalagens de detergente são normalmente feitas de HDPE ou PP — plásticos diferentes, co...

V... de Vigarice

  No post anterior sobre a iniciativa Volta, levantei várias questões sobre a sua implementação. Alguns leitores poderão ter ficado com a ideia de que sou contra a reciclagem, ou contra a iniciativa em si. Não sou. É importante responsabilizar o consumidor pela reciclagem, e em vários países europeus funciona bem. O problema não é o conceito, mas a execução e a falta de transparência sobre como tudo isto (não) vai funcionar na prática. Já nem vou entrar pela discussão que tem vindo a público sobre as instituições privadas que estão por trás da iniciativa, e das dúvidas sobre a honestidade e transparência empresarial.  Mas chamar à atenção sobre outro ponto de vista: há uma ilusão recorrente na política pública portuguesa: basta olhar para o que funciona noutro país e copiar.  Esta ilusão é recorrente. Na educação superior, a aprendizagem baseada em projetos tem resultados sólidos nos países escandinavos. Em Portugal, rapidamente se transformou num exercício de minimalism...

Sinto-me mais novo!! Ou então, não!

  Ontem o INE confirmou aquilo que todos já suspeitávamos: em 2027, a idade da reforma sobe, agora para os 66 anos e 11 meses . Tudo isto é caricato, e começa logo com este facto. Quem decide a idade da reforma não é a segurança-social, não é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas é um instituto de Estatística. Podemos quase dizer que estamos já a ser controlados pela Inteligência Artificial, já que esta não passa de um modelo estatístico complicado. A fórmula é simples, fria, e matematicamente implacável: quanto mais tempo vivemos, mais tempo temos de trabalhar. Vivemos mais, logo trabalhamos mais, logo descansamos... praticamente o mesmo. A Segurança Social agradece a nossa resiliência. À esquerda, há quem ache que a solução é baixar a idade da reforma. À direita, há quem jure que isso faz a Segurança Social implodir. Ambos têm razão, mas nenhum tem uma proposta razoável. É o debate favorito do país: toda a gente fala, mas ninguém pergunta ao enfermeiro ...

Em Portugal, proibir é fácil. Fiscalizar... nem tanto!

Todos os dias, durante a semana, passo junto a um ecoponto aqui perto. Tem uma lona enorme — dessas que não passam despercebidas — a avisar que deixar lixo fora do contentor é sujeito a coima. Imponente. Intimidante, quase. E mesmo à frente da lona, num gesto de pura rebeldia artística, deixam três sacos de lixo, um sofá partido ou o que parece ser metade de uma cozinha. A lona, ao que tudo indica, não convenceu ninguém. Mas o exemplo que me inspirou mesmo a escrever este texto foi outro. Uma placa, no WC do Hospital de Vila Nova de Famalicão, com a seguinte instrução: "Proibido colar chicletes e colocar papel higiénico nos mictórios."   Fiquei a pensar: haverá alguém que, chiclete já mastigada e braço estendido, leu o aviso e pensou "Ah, tens razão, não é correto" , e deu meia volta à procura de um caixote? Talvez. Mas apostava pouco nessa pessoa. É claro que existe uma lógica nisto tudo. Contratar fiscais, aplicar coimas, criar sistemas de vigilância — isso cust...

A desigualdade da Segurança Social

    Pelas infelicidades da vida, nos últimos tempos tenho andado a tentar perceber como funciona a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e como funciona a comparticipação, por parte da Segurança Social, para aqueles que, com alguma sorte, arranjam uma vaga numa Unidade de Cuidados Continuados Integrados em tempo útil.   Ora, um dos passos, em todo este processo, é o preenchimento de um formulário para a Segurança Social que começa com a seguinte frase:   O direito à comparticipação da Segurança Social aos utentes das Unidades e Equipas de Cuidados Integrados, depende do valor do património mobiliário do seu agregado familiar não ser superior a 240 vezes o Indexante dos Apoios Sociais que corresponde a 128.911,20€.  Se, por um lado, esta frase parece fazer sentido (quem tem mais rendimentos, tem de pagar mais), levanta um conjunto de outras dúvidas: Este valor refere-se ao património do agregado familiar, ou seja, daqueles que vivem sob o mesmo...

Volta... uma confusão

  O estado está a iniciar o processo de colocar máquinas por todo o país para a recolha e reciclagem de embalagens de plástico. A iniciativa assenta na ideia de acrescentar 10 cêntimos ao preço de todos os produtos abrangidos, que serão devolvidos se o consumidor entregar as embalagens vazias numa destas máquinas. A ideia começa mal logo de início, já que as embalagens têm, neste momento, um custo, que o consumidor já está a custear. Veja-se um exemplo de uma garrafa de água. Não me parece que a garrafa seja gratuita para o vendedor da água. Se estamos a pagar por uma garrafa, não devíamos receber esse mesmo valor ao devolvê-la? Não sei qual o custo, que poderá ser até menor que os 10 cêntimos previstos. Mas permitiria que o custo não aumentasse tanto (de 30 cêntimos para 40 cêntimos é um aumento de 33%). É verdade que este valor é devolvido, sob a necessidade do consumidor se deslocar até uma destas máquinas, e esperar na fila para despachar as ditas garrafas. Para além da id...