Já escrevi duas vezes sobre o Volta, por um lado, sobre os abusos previsíveis de quem contorna as regras, e poroutro, as dúvidas que ficaram por esclarecer desde o início. Continuo a achar importante a reciclagem, e não vejo que o uso do Volta seja negativo. É claro que, estando nós em Portugal, temos falta de informação, e jornalistas que não sabem esclarecer, apenas relatar. Mais alguns comentários sobre este assunto: O critério não é "garrafa", é o tipo de material Fala-se muito em "embalagens de plástico até 3 litros", o que dá a entender que basta ser uma garrafa, e ser de plástico. Mas há garrafas de detergente, amaciador, produtos de limpeza, que também têm tampa, também são de plástico, e que não se viram promovidos a produtos de reciclagem. A razão é simples: o Volta aceita PET (tereftalato de polietileno), o plástico típico das garrafas de água e refrigerantes. As embalagens de detergente são normalmente feitas de HDPE ou PP — plásticos diferentes, co...
No post anterior sobre a iniciativa Volta, levantei várias questões sobre a sua implementação. Alguns leitores poderão ter ficado com a ideia de que sou contra a reciclagem, ou contra a iniciativa em si. Não sou. É importante responsabilizar o consumidor pela reciclagem, e em vários países europeus funciona bem. O problema não é o conceito, mas a execução e a falta de transparência sobre como tudo isto (não) vai funcionar na prática. Já nem vou entrar pela discussão que tem vindo a público sobre as instituições privadas que estão por trás da iniciativa, e das dúvidas sobre a honestidade e transparência empresarial. Mas chamar à atenção sobre outro ponto de vista: há uma ilusão recorrente na política pública portuguesa: basta olhar para o que funciona noutro país e copiar. Esta ilusão é recorrente. Na educação superior, a aprendizagem baseada em projetos tem resultados sólidos nos países escandinavos. Em Portugal, rapidamente se transformou num exercício de minimalism...