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Mensagens

Comer coelho por lebre

  Já há algum tempo que me enerva ouvir dizer que "temos um nutricionista" que prepara a ementa. Isso não me sossega. Não porque não acredite que façam um bom serviço (embora tenha razões para duvidar), mas porque a cadeia de fornecimento é demasiado longa, até chegar ao utilizador. Isto acontece em escolas, hospitais, lares, e outras instituições. A ementa até está pública, afixada na parede, ou disponível na Internet. A ementa até tem o nome do nutricionista, e consta o número da sua cédula profissional. Mais uma vez, para a instituição, isto chega. Cumprir a ementa já é outra história...  Consideremos um exemplo simples, retirado de uma ementa real,: "Bife de frango grelhado com massa espiral, salada (tomate, rúcula, cebola)". À primeira vista parece saudável. Mas não, há várias coisas a discutir. Onde estão delineadas as quantidades? Teremos meio prato de salada, como nos recomendam para uma refeição equilibrada? Ou teremos três rodelas de tomate, um aro de cebo...
Mensagens recentes

O Livro de Reclamações Online: reclamar para quê?

    (Este post é uma continuação de Andante: zonas e zoninhas ) Depois do episódio com a Andante, e para não continuar na discussão com a funcionária por e-mail, fiz o que qualquer consumidor devia fazer: escrevi no Livro de Reclamações Online. Descrevi o problema, a informação errada dada pelo apoio ao cliente, e a tentativa de encobrir essa informação com uma nova versão igualmente errada. Referi também a ausência de informação clara no site. Telefonaram-me. A senhora foi simpática, reconheceu que a zona certa era Z6, e confirmou que não existe qualquer ligação direta entre Lousado e o Aeroporto sem transbordo em Campanhã. Ou seja, o apoio ao cliente mentiu-me duas vezes: primeiro ao dizer que Z4 estava correto; depois ao inventar uma ligação direta que não existe, para justificar a resposta errada. Agradeceu a reclamação, indicando que só assim podem melhorar. Poucos minutos depois de desligar o telefone, chegou a resposta oficial: um pedido de desculpas frouxo, reconhec...

Andante: zonas e zoninhas

  Como já não é a primeira vez que me engano a comprar títulos Andante, pela dificuldade que é em perceber as Zonas e planear uma viagem previamente, tentei, desta vez, fazer as coisas como deve ser. O que vos conto é o resultado dessa experiência. Objetivo: viajar entre Lousado e o Aeroporto - Botica (comboio e metro).  Primeiro problema: não se sabe a que zona pertence cada estação A primeira dificuldade é a minha memória de peixe. Nunca sei a que zona pertence cada estação. Procurando em Andante.pt não há forma de obter essa informação. Fazendo um pouco de investigação, consegue-se encontrar no site do Metro do Porto um mapa da rede do metro, e perceber qual a zona correspondente ao Aeroporto. Para Lousado deu um pouco mais de trabalho, mas lá encontrei, no site da CP, um PDF com o título " Zoneamento Andante " Curioso que, sendo informação sobre o Andante, só se encontre na CP. Primeiro problema resolvido com sucesso!  Segundo problema: o sistema dá uma resposta...

Volta: uma triagem mais fina

  Já escrevi duas vezes sobre o Volta, por um lado, sobre os abusos previsíveis de quem contorna as regras, e poroutro, as dúvidas que ficaram por esclarecer desde o início. Continuo a achar importante a reciclagem, e não vejo que o uso do Volta seja negativo. É claro que, estando nós em Portugal, temos falta de informação, e jornalistas que não sabem esclarecer, apenas relatar. Mais alguns comentários sobre este assunto: O critério não é "garrafa", é o tipo de material Fala-se muito em "embalagens de plástico até 3 litros", o que dá a entender que basta ser uma garrafa, e ser de plástico. Mas há garrafas de detergente, amaciador, produtos de limpeza, que também têm tampa, também são de plástico, e que não se viram promovidos a produtos de reciclagem. A razão é simples: o Volta aceita PET (tereftalato de polietileno), o plástico típico das garrafas de água e refrigerantes. As embalagens de detergente são normalmente feitas de HDPE ou PP — plásticos diferentes, co...

V... de Vigarice

  No post anterior sobre a iniciativa Volta, levantei várias questões sobre a sua implementação. Alguns leitores poderão ter ficado com a ideia de que sou contra a reciclagem, ou contra a iniciativa em si. Não sou. É importante responsabilizar o consumidor pela reciclagem, e em vários países europeus funciona bem. O problema não é o conceito, mas a execução e a falta de transparência sobre como tudo isto (não) vai funcionar na prática. Já nem vou entrar pela discussão que tem vindo a público sobre as instituições privadas que estão por trás da iniciativa, e das dúvidas sobre a honestidade e transparência empresarial.  Mas chamar à atenção sobre outro ponto de vista: há uma ilusão recorrente na política pública portuguesa: basta olhar para o que funciona noutro país e copiar.  Esta ilusão é recorrente. Na educação superior, a aprendizagem baseada em projetos tem resultados sólidos nos países escandinavos. Em Portugal, rapidamente se transformou num exercício de minimalism...

Sinto-me mais novo!! Ou então, não!

  Ontem o INE confirmou aquilo que todos já suspeitávamos: em 2027, a idade da reforma sobe, agora para os 66 anos e 11 meses . Tudo isto é caricato, e começa logo com este facto. Quem decide a idade da reforma não é a segurança-social, não é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas é um instituto de Estatística. Podemos quase dizer que estamos já a ser controlados pela Inteligência Artificial, já que esta não passa de um modelo estatístico complicado. A fórmula é simples, fria, e matematicamente implacável: quanto mais tempo vivemos, mais tempo temos de trabalhar. Vivemos mais, logo trabalhamos mais, logo descansamos... praticamente o mesmo. A Segurança Social agradece a nossa resiliência. À esquerda, há quem ache que a solução é baixar a idade da reforma. À direita, há quem jure que isso faz a Segurança Social implodir. Ambos têm razão, mas nenhum tem uma proposta razoável. É o debate favorito do país: toda a gente fala, mas ninguém pergunta ao enfermeiro ...

Em Portugal, proibir é fácil. Fiscalizar... nem tanto!

Todos os dias, durante a semana, passo junto a um ecoponto aqui perto. Tem uma lona enorme — dessas que não passam despercebidas — a avisar que deixar lixo fora do contentor é sujeito a coima. Imponente. Intimidante, quase. E mesmo à frente da lona, num gesto de pura rebeldia artística, deixam três sacos de lixo, um sofá partido ou o que parece ser metade de uma cozinha. A lona, ao que tudo indica, não convenceu ninguém. Mas o exemplo que me inspirou mesmo a escrever este texto foi outro. Uma placa, no WC do Hospital de Vila Nova de Famalicão, com a seguinte instrução: "Proibido colar chicletes e colocar papel higiénico nos mictórios."   Fiquei a pensar: haverá alguém que, chiclete já mastigada e braço estendido, leu o aviso e pensou "Ah, tens razão, não é correto" , e deu meia volta à procura de um caixote? Talvez. Mas apostava pouco nessa pessoa. É claro que existe uma lógica nisto tudo. Contratar fiscais, aplicar coimas, criar sistemas de vigilância — isso cust...