No post anterior sobre a iniciativa Volta, levantei várias questões sobre a sua implementação. Alguns leitores poderão ter ficado com a ideia de que sou contra a reciclagem, ou contra a iniciativa em si. Não sou. É importante responsabilizar o consumidor pela reciclagem, e em vários países europeus funciona bem. O problema não é o conceito, mas a execução e a falta de transparência sobre como tudo isto (não) vai funcionar na prática. Já nem vou entrar pela discussão que tem vindo a público sobre as instituições privadas que estão por trás da iniciativa, e das dúvidas sobre a honestidade e transparência empresarial. Mas chamar à atenção sobre outro ponto de vista: há uma ilusão recorrente na política pública portuguesa: basta olhar para o que funciona noutro país e copiar. Esta ilusão é recorrente. Na educação superior, a aprendizagem baseada em projetos tem resultados sólidos nos países escandinavos. Em Portugal, rapidamente se transformou num exercício de minimalism...
Ontem o INE confirmou aquilo que todos já suspeitávamos: em 2027, a idade da reforma sobe, agora para os 66 anos e 11 meses . Tudo isto é caricato, e começa logo com este facto. Quem decide a idade da reforma não é a segurança-social, não é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas é um instituto de Estatística. Podemos quase dizer que estamos já a ser controlados pela Inteligência Artificial, já que esta não passa de um modelo estatístico complicado. A fórmula é simples, fria, e matematicamente implacável: quanto mais tempo vivemos, mais tempo temos de trabalhar. Vivemos mais, logo trabalhamos mais, logo descansamos... praticamente o mesmo. A Segurança Social agradece a nossa resiliência. À esquerda, há quem ache que a solução é baixar a idade da reforma. À direita, há quem jure que isso faz a Segurança Social implodir. Ambos têm razão, mas nenhum tem uma proposta razoável. É o debate favorito do país: toda a gente fala, mas ninguém pergunta ao enfermeiro ...