O estado está a iniciar o processo de colocar máquinas por todo o país para a recolha e reciclagem de embalagens de plástico. A iniciativa assenta na ideia de acrescentar 10 cêntimos ao preço de todos os produtos abrangidos, que serão devolvidos se o consumidor entregar as embalagens vazias numa destas máquinas.
A ideia começa mal logo de início, já que as embalagens têm, neste momento, um custo, que o consumidor já está a custear. Veja-se um exemplo de uma garrafa de água. Não me parece que a garrafa seja gratuita para o vendedor da água. Se estamos a pagar por uma garrafa, não devíamos receber esse mesmo valor ao devolvê-la? Não sei qual o custo, que poderá ser até menor que os 10 cêntimos previstos. Mas permitiria que o custo não aumentasse tanto (de 30 cêntimos para 40 cêntimos é um aumento de 33%). É verdade que este valor é devolvido, sob a necessidade do consumidor se deslocar até uma destas máquinas, e esperar na fila para despachar as ditas garrafas.
Para além da ideia, segue-se o problema de como esta ideia será colocada em prática. Há uns 4 anos, no Continente de Braga, tinham um processo semelhante. A máquina dava descontos para as compras. Qual foi a minha experiência com a máquina? Muito má:
- Pessoas com sacos de embalagens, que nos obrigavam a esperar em fila;
- Máquinas lentas, que tornam esta fila ainda mais longa;
- Máquinas avariadas, que nos obrigam a voltar para o carro com as embalagens (acreditam que o povo português irá fazer isso? com sorte ficam encostadas às máquinas).
Pergunto-me qual foi o processo de QA (Quality Assurance) realizado com a máquina:
- Qual o seu nível de eficiência sobre pressão? Quanto tempo demora cada embalagem a ser processada? Daqui, será possível obter o número máximo de embalagens processadas por hora, e por conseguinte, o número médio de consumidores (considerem umas 10 embalagens por consumidor, ninguém se irá deslocar por menos)
- Qual a sua robustez? O que acontece se estiver durante 4 horas, constantemente a receber embalagens? A máquina aguenta-se? Não sobre-aquece?
- O que acontece se alguém colocar uma embalagem não contemplada, ou lixo, ou uma pedra, dentro da máquina? É capaz de lidar com o problema e recusá-la, para que não venha a comprometer o funcionamento da máquina?
Aproveitei para perguntar a um dos nossos amigos com inteligência menos natural, o Claude, que me apontou alguns outros aspetos que são relevantes:
- Cobertura geográfica: Onde ficarão as máquinas? Apenas em grandes superfícies? Quem vive em zonas rurais ou sem hipermercado próximo perde o depósito — o que é regressivo socialmente.
- O que acontece ao dinheiro não reclamado? Quem fica com os 10 cêntimos de quem nunca devolve? O Estado? A grande distribuição? Isto raramente é explicado e é relevante.
- Impacto no pequeno comércio: As máquinas ficam em hipermercados — o que incentiva o consumidor a ir lá, prejudicando o comércio local.
Espero que, realmente, se tenha pensado nisto... mas infelizmente, não me parece. Espero que daqui a uns meses tenha razões para cá vir, dizer que estava enganado.

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