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Los calzoncillos de Carolina Huechuraba

Devem lembrar-se de uma entrada aqui há uns dias, sobre o último livro de Luís Sepúlveda: Crónicas do Sul. Na verdade, o nome original é qualquer coisa como: Los calzoncillos de Carolina Huechuraba y otras crónicas. Sim, eu sei que a tradução dos títulos nunca foi o forte das editoras (livreiras e cinematográficas) portuguesas.

Se bem se lembram, comparei o livro a um blogue. Fi-lo antes de ter lido o livro, apenas folheando e lendo um parágrafo aqui, outro parágrafo ali. E, não me enganei. Não só é um blogue em papel, mas também na Web: podem ler a maior parte das histórias no blogue do Luís Sepúlveda no site do Le Monde Diplomatique Chileno. Portanto, antes de comprarem o livro, leiam uma história (Chileno deve ser tipo espanhol) ou duas, e decidam se querem gastar cerca de 9 euros em deambulos políticos sobre o Chile, Pinochet, o Chile, Pinochet, o Chile, Pinochet, mais uma história do Sul de Espanha, e continuamos a falar do Chile, Pinochet, Chile, Pinochet... é que não lembra nem ao Diabo! O homem está morto e enterrado. As obras dele, certamente que não. Mas se queremos que as coisas mudem, não será com certeza continuando a falar do passado! Toca a mexer! Toca a fazer o país andar para a frente!

Comentários

Rui Seabra disse…
Pelo contrário, aqueles que ignorarem o passado estão condenados a repeti-lo!
Alberto Simões disse…
Rui, eu não disse para ignorar o passado. Eu disse para olhar para a frente. Convido-te a ler o livro e a tentar perceber até que ponto o escrever 100 páginas com aquele conteúdo ajuda, ou não, a que não se repita o passado!
Álvaro disse…
catarse
...
4. PSICOLOGIA terapêutica psicanalítica que pretende o desaparecimento de sintomas pela exteriorização verbal, dramática, emocional de traumatismos recalcados;
...
(Do gr. kátharsis, «purificação»)
Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora
Unknown disse…
Ai ai Senhor Alberto...

Sabendo que sou uma leitora assídua deste blogue tem o desplante de dizer que os tradutores em portugal são rascas? As coisas nem sempre podem ser traduzidas à letra, temos de adaptá-las à nossa cultura e raízes... Claro que nem sempre as traduções são boas, mas andamos a tentar fazer boas substituições no mercado, entrando bons tradutores :)

Chileno é espanhol, se não estou em erro, é como o venezuelano, ou peruano, é tudo espanhol, depois é como o inglês...tem variações ;)

Quanto ao livro, não vou dar-me ao trabalho sequer de ler, não gosto de política, nem história, muito menos de uma mistura de as duas...! Vou-me ficar pelos meus livrinhos de escárnio e maldizer de Poe. :)

Abraço
Alberto Simões disse…
Olá, Filipa

Não são tudo maus tradutores. E sei que não pode ser tudo traduzido à letra.

Eu também não gosto de ler sobre política. Sobre história, depende da dita e do autor. Infelizmente o livro aparece no mesmo formato dos outros do Luís Sepúlveda, como o Velho que lia romances de amor, ou o gato que ensinou uma gaivota a voar. Estava crente que seria mais um romance escrito da forma habitual do Luís Sepúlveda, que nos prende ao livro do início ao fim.

Abraço
Alberto

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