Eu gosto de conduzir, é verdade. Mas sei bem que não podemos andar todos de carro. Temos de andar de transportes públicos. Os próprios governantes dizem o mesmo.
Um dos meios de transporte mais eficazes é o comboio. Tem uma via dedicada, não lida com o trânsito, e na sua maioria, pode usar energia elétrica. Nesse sentido, o governo até criou o célebre Passe Verde, que diminui o custo para convencer as pessoas de que o comboio é uma alternativa ao carro.
Infelizmente, parece que a CP - Comboios de Portugal - tem outra filosofia. É preciso prestar um mau serviço, para que as pessoas se queixem, e o governo injete mais dinheiro. Desse modo, os gestores podem aumentar os seus vencimentos. Mas o serviço, esse, fica igual. Há que continuar a garantir o choradinho.
Na minha experiência, ao usar os Urbanos do Porto, é que andam cheios, mesmo fora das horas de ponta. Muitos turistas visitam Braga e Guimarães a partir do Porto, mesmo no inverno, o que ajuda a manter os comboios com uma taxa de ocupação razoável.
Já nas horas de ponta, não há lotação! Há sobrelotação. As pessoas mal conseguem entrar, viajam em pé, sem segurança, e a aturarem os cheiros das pessoas que, depois de um dia de trabalho, agradeciam estar sentadas até chegar a casa e tomar o merecido banho.
A lotação é tal, que a própria fiscalização não existe. Nestas horas de ponta é raro ver-se o revisor (o célebre pica). É natural, não têm como se mexer. Isto leva a que muitas pessoas tenham essa noção e aproveitem para viajar sem título de transporte.
Não sei se estes revisores ficam contentes com a sobrelotação, já que têm desculpa para não trabalhar, ou se fazem chegar esta informação a quem manda. Custa-me a crer que optem pela segunda hipótese.
Imagino que os Urbanos de Lisboa estejam em situação semelhante. Mas não uso, e por isso, não consigo opinar.
Além dos urbanos, tentei usar o InterCidades. Surpresa, não há lugares!
Ou seja, felizmente, há quem use os comboios. Talvez não haja mais por não terem como!
Mas há mais!
Quando faço viagens ao início da noite não posso relaxar, mesmo que tenha a sorte de ir sentado. É que não há informação visual ou sonora que nos indiquem onde estamos. Embora o pequeno visor esteja lá, está desligado ou avariado. Não se consegue ver para o exterior para perceber em que estação estamos (as estações e apeadeiros têm pouca ou nenhuma iluminação). Se tiverem junto à janela, ainda é possível que consigam, com as mãos, fazer sobra ao reflexo da luz interior e conseguir perceber onde estão. Mas se estiverem na coxia, então, boa sorte! Talvez o ideal seja fazerem como eu, abrir o Google Maps e seguir o GPS.
E não se queixem ao revisor. A resposta é: "tem de estar atento".
Querem ainda mais? Arranja-se!
A modernidade levou a que a CP criasse uma aplicação mobile. Ao registar na app, os passes associados ao utilizador devem aparecer automaticamente. Incrível!
Só que não. Claro que fazem a associação pelo número de contribuinte, certo? Não! Fazem pelo e-mail. Ainda se houvesse alguma coisa que cada utilizador tivesse único... mas como não há, usa-se o e-mail. Afinal, cada um de nós só tem um e-mail. Certo!?
Pois. Não. Eu registei na app e o meu passe verde não apareceu. O passe foi criado há dois anos e não sabia qual o e-mail usado. Registei-me com mais dois. Nada.
Então contactei o serviço de suporte por e-mail. Dei toda a minha informação. NIF, nome número do cartão, telefone. Ofereci-me para dar qualquer outra informação. Até o grupo sanguíneo, se quisessem. Ou de preencher digitalmente um documento a pedir a alteração, e assinar com chave digital. Resposta: o processo é preencher um formulário de alteração de contacto. Depois, poderá demorar até quatro dias!
Fui a uma bilheteira. Mudei o meu e-mail (que não tinha, porque não era obrigatório) e o da minha esposa. Só apresentei o passe verde. Nada de identificação, nem minha nem da esposa. Mudaram os e-mails na hora, em segundos.
Afinal, onde está o impresso? Onde está a demora de 4 dias? Que raio de serviço ao cliente tem a CP? Incompetentes, claro!
A conclusão não pode ser apenas: A CP é má.
Se queremos que as pessoas deixem os carros, temos de criar condições para isso. As condições passam por maior capacidade de absorver passageiros, em conforto, e que seja simples e cómodo de utilizar.
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