Avançar para o conteúdo principal

CP não cumpre Constituição Portuguesa

É verdade, a CP, Comboios de Portugal, não cumpre a Constituição da República Portuguesa, mais concretamente, o ponto 2 do artigo décimo terceiro, onde se lê:
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Ora, então, o que se passa? Se o cidadão em questão for detentor de um pénis, poderá usar livremente e gratuitamente os urinóis das casas de banho da estação de Campanhã. Se, por sua vez, for detentor de uma vagina, e por isso necessitar de visitar um cubículo para poder urinar, terá de pagar a módica quantia de cinquenta cêntimos.

Embora já me repugne que uma empresa tenha casas de banho pagas, o facto de nos comboios suburbanos não haver uma casa de banho (e note-se que uma viagem Braga -- Porto ou Guimarães -- Porto ultrapassa a hora e meia de viagem) faz com que este facto seja ainda mais ridículo.

Mas pior ainda, é a discriminação sexual que esta medida levanta. Já para não falar na discriminação pela situação económica (para muito boa gente menos cinquenta cêntimos já se torna um grande problema).

Comentários

Subscrevo a crítica completamente. Sem tirar nem pôr.
Filipe Meneses disse…
Sugiro que deixes esta mensagem no livro de reclamações da estação. Pode ser que alguém faça algo... na pior (e mais provável) das hipoteses coloca os homens a pagar 50 cêntimos e assim deixa de haver discriminação.

Mensagens populares deste blogue

Vila Nova de Famalicão sem Cinema

Vila Nova de Famalicão nasceu numa encruzilhada, entre Braga, Porto, Barcelos, Guimarães, todas cidades seculares. Nesta encruzilhada foi surgindo a necessidade de pernoitar, surgiram os caminhos de ferro, a indústria dos relógios, na já falecida "A Boa Reguladora", e, pouco a pouco, a cidade surgiu. Originalmente tínhamos um teatro, o Cine-Teatro Augusto Correia. Pelo nome já depreendem que tinha uma sala polivalente, que permitia assistir a cinema ou a teatro. Com o tempo surgiu a mania dos Shoppings , e o Shopping Town , único da cidade que merece tal nome, abriu, incluindo um cinema. O Cine-Teatro Augusto Correia foi ficando velho e mais tarde fechou (entretanto demolido, e já oupado por novo prédio habitacional). Este cinema, no Shopping Town foi-se aguentando. É verdade que um cinema numa cidade pequena não pode ter grande variedade de filmes (fica demasiado caro). Mas os filmes mais falados acabavam por passar em Famalicão. Entretanto, eis que surgem os hipermercados,...

Incoerências ou falta de conhecimentos lógicos

Infelizmente estou a ler o livro " Desenvolvimento de Sistemas de Informação ", de Filomena Lopes , Maria Morais e Armando Carvalho , da FCA, Editora de Informática. O "Infelizmente" porque a minha opinião até ao momento é de que o conceito de DSI é mais treta do que quaquer outra coisa relevante. Mas não é isso que quero discutir, porque os meus conhecimentos de causa ainda são poucos. O que quero aqui referir é a falta de análise lógica dos autores. Algures na discussão de informação, organização e sistema de informação, afirmam: Poder-se-á dizer que não há organização sem informação, nem sistema de informação sem informação e, consequentemente, não há organização sem sistema de informação. Ora, transformemos esta afirmação em lógica de primeira ordem: (~ informação => ~ organização) e (~ informação => ~ sistema informação) então (~ sistema informação => ~organização) Simplificando, P = ((~A => ~B) /\ (~A => ~C)) => (~C => ~B). Construamos a ...

Sinto-me mais novo!! Ou então, não!

  Ontem o INE confirmou aquilo que todos já suspeitávamos: em 2027, a idade da reforma sobe, agora para os 66 anos e 11 meses . Tudo isto é caricato, e começa logo com este facto. Quem decide a idade da reforma não é a segurança-social, não é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, mas é um instituto de Estatística. Podemos quase dizer que estamos já a ser controlados pela Inteligência Artificial, já que esta não passa de um modelo estatístico complicado. A fórmula é simples, fria, e matematicamente implacável: quanto mais tempo vivemos, mais tempo temos de trabalhar. Vivemos mais, logo trabalhamos mais, logo descansamos... praticamente o mesmo. A Segurança Social agradece a nossa resiliência. À esquerda, há quem ache que a solução é baixar a idade da reforma. À direita, há quem jure que isso faz a Segurança Social implodir. Ambos têm razão, mas nenhum tem uma proposta razoável. É o debate favorito do país: toda a gente fala, mas ninguém pergunta ao enfermeiro ...