
O concurso
Sabe mais do que um miúdo de 10 anos voltou à RTP. Os miúdos também voltaram (e são os mesmos), mas a RTP na contenção de custos não esteve para mudar o cenário, e ainda se referem 10 anos estando a maior parte dos alunos já perto dos 11.
Mas o que me faz escrever este
post não se prende com esse facto, mas mais porque a produção deste programa é incompetente (e não sabe mais do que um miúdo de 10 anos), e portanto não sabe como equacionar uma pergunta não ambígua.
Considerem a pergunta do último programa:
Onde nasce e desagua o rio Mondego?
Quando li esta pergunta, a primeira resposta que me veio à cabeça foi: Portugal. Sim, o rio Mondego nasce e desagua em Portugal. Podem dizer que outra resposta correcta seria
Planeta Terra, mas parece-me que a resposta deve corresponder à região mais pequena que satisfaz a pergunta.
Mas o que a produção queria não era fazer uma pergunta, mas duas! E por isso, também estava à espera de duas respostas.
Agora comparem com a pergunta (inventada por mim):
Onde se situam a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos? Com esta pergunta, será que querem a morada exacta de cada um deles, ou bastará a resposta
Lisboa?
Do meu ponto de vista as perguntas são idênticas, e a conjunção deve ser vista como uma restrição da resposta, e não como a conjunção de duas perguntas. Para a conjunção das duas perguntas seria mais um
Indique onde nasce, e onde desagua o rio Mondego. Aqui, parece-me que o segredo é a repetição do advérbio de lugar.
Continuando com a dissertação, a resposta dada pela criança foi:
Nasce na Serra da Estrela e desagua no Oceano Atlântico. Assim à primeira vista, a resposta é correctíssima. Mas a verdade é que a produção queria a cidade onde desagua, ou seja,
Figueira da Foz. Mais uma vez, ambiguidade.
E já agora, assim sendo,
onde desagua o Rio Douro? Será que a resposta certa era
Porto ou
Vila Nova de Gaia?
E com isto termino, mostrando que
não lembra nem ao Diabo a dificuldade que existe em fazer perguntas! Não é tão fácil como parece!